Como criar um planograma eficiente para cada tipo de loja Anderson Lima 01/10/2026

Como criar um planograma eficiente para cada tipo de loja

gondola

É comum encontrar modelos de planograma prontos disponíveis na internet, prometendo solução rápida para organizar a gôndola. O problema é que planograma não é um layout estético que se aplica igual em qualquer lugar — ele é a tradução física de dados de vendas, margem, giro e comportamento do shopper de uma loja específica.

Duas lojas da mesma rede, no mesmo segmento, podem precisar de planogramas diferentes se tiverem perfis de bairro distintos. E entre segmentos diferentes — um supermercado e uma farmácia, por exemplo — a lógica de exposição muda ainda mais, porque o motivo pelo qual o cliente entra em cada um desses estabelecimentos também é diferente. Por isso, o ponto de partida correto não é “qual modelo de planograma copiar”, mas “qual método seguir para construir o planograma certo para esta loja

O método comum por trás de qualquer planograma eficiente

Independentemente do segmento, a construção de um planograma eficiente segue uma sequência lógica. O que muda de loja para loja, como veremos na próxima seção, são os critérios de prioridade dentro de cada etapa, não a etapa em si.

1. Organize o cadastro de produtos antes de desenhar qualquer coisa

Todo planograma é construído sobre uma base de dados: dimensões do produto, categoria, subcategoria, código de barras, fornecedor. Se esse cadastro estiver incompleto ou mal classificado, qualquer planograma desenhado sobre ele já nasce com erro embutido — por isso essa etapa vem antes de qualquer decisão visual de gôndola.

2. Entenda o fluxo real do shopper na sua loja

Antes de decidir onde cada categoria vai ficar, é preciso observar como o cliente efetivamente circula pela loja: por onde entra, quais corredores costuma percorrer primeiro, onde tende a acelerar o passo e onde se detém mais tempo. Esse fluxo real — não o fluxo “ideal” imaginado no escritório — é a base para posicionar categorias de forma que o cliente passe por elas.

3. Cruze margem, giro e volume de vendas por item

Um planograma eficiente não é definido só por “o que vende mais”. É preciso equilibrar três variáveis: quanto o item vende em quantidade, quanto ele contribui em receita e qual a margem que ele traz para o negócio. Produtos com alto giro, mas baixa margem, cumprem um papel diferente na gôndola do que produtos de margem alta e giro mais baixo — e o planograma precisa refletir esse papel, não tratar todo item da mesma forma.

4. Defina os critérios de priorização de espaço

Com os dados em mãos, é hora de decidir o que ganha destaque: altura dos olhos, pontas de gôndola, proximidade de itens complementares (como massa e molho de tomate), e o que fica em posições secundárias. Esses critérios variam conforme o objetivo da categoria dentro daquela loja — algumas categorias existem para gerar tráfego, outras para gerar margem, e o planograma precisa tratar cada papel de forma diferente.

4. Defina os critérios de priorização de espaço

Com os dados em mãos, é hora de decidir o que ganha destaque: altura dos olhos, pontas de gôndola, proximidade de itens complementares (como massa e molho de tomate), e o que fica em posições secundárias. Esses critérios variam conforme o objetivo da categoria dentro daquela loja — algumas categorias existem para gerar tráfego, outras para gerar margem, e o planograma precisa tratar cada papel de forma diferente.

5. Desenhe o planograma e formalize em um guia de execução

A estratégia definida nas etapas anteriores é traduzida em um diagrama objetivo — prateleira, posição, quantidade de frentes de cada item — que a equipe de loja consiga seguir sem margem para interpretação pessoal.

6. Acompanhe com checklist e revise periodicamente

Nenhum planograma se sustenta sozinho. É preciso auditoria recorrente comparando o que foi desenhado com o que está de fato na gôndola, além de revisões periódicas conforme sazonalidade, desempenho e mudanças de sortimento.

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Como o planograma muda de acordo com o tipo de loja

Aqui está o ponto em que a maioria dos conteúdos genéricos sobre planograma para — e onde, na prática, a diferença entre um planograma copiado e um planograma bem adaptado realmente aparece.

Supermercado

No supermercado, o shopper costuma fazer compras de abastecimento, com uma lista mental (ou física) de itens de necessidade recorrente. Por isso, uma prática comum é posicionar itens de primeira necessidade — como leite e pão — em pontos mais distantes da entrada, fazendo o cliente percorrer outros corredores (e outras categorias) no caminho. Produtos de maior margem, como snacks e guloseimas, tendem a ocupar posições de alta visibilidade — altura dos olhos, proximidade dos caixas — justamente para captar decisões por impulso, que são mais frequentes nesse tipo de loja do que em uma farmácia ou loja de conveniência.

Farmácia

Na farmácia, o planograma precisa equilibrar dois papéis muito diferentes dentro do mesmo espaço: de um lado, medicamentos — onde o cliente frequentemente já sabe exatamente o que veio buscar e precisa de localização rápida e clara, muitas vezes com apoio de um atendente; de outro, produtos de higiene, beleza e, em farmácias maiores, itens de conveniência — que se beneficiam de exposição mais próxima da lógica de impulso, parecida com a de um supermercado. O layout, nesse caso, costuma ser pensado para guiar o cliente por essas duas lógicas sem confundir sua jornada.

Loja de conveniência

Na loja de conveniência, o comportamento do shopper é diferente dos dois anteriores: a visita costuma ser rápida, muitas vezes motivada por uma necessidade específica e imediata. Por isso, o planograma nesse segmento é construído para “esquentar” a loja inteira — distribuir categorias de forma que o cliente precise circular por diferentes pontos até encontrar o que busca, aumentando a chance de compras adicionais dentro de uma visita que, de outra forma, seria muito curta e direta.

Loja de material de construção

Esse é talvez o segmento onde a lógica de planograma mais se distancia da do supermercado. Muitos clientes de loja de material de construção chegam com um projeto em mente (uma reforma, uma pintura, uma instalação específica), e não com uma lista de produtos isolados. Por isso, uma prática cada vez mais usada nesse segmento é organizar espaços por tema ou projeto — jardinagem, pintura, hidráulica — em vez de apenas por categoria de produto isolada, o que ajuda o cliente a visualizar a solução completa para o que pretende fazer, e não apenas encontrar um item específico em meio a um grande volume de produtos técnicos.

Erros comuns ao adaptar o planograma para o tipo de loja

  1. Copiar o planograma de outra loja da rede sem considerar diferenças reais de fluxo, perfil de shopper e desempenho de categoria daquele ponto específico.
  2. Aplicar a lógica de um segmento em outro — por exemplo, tratar uma farmácia inteiramente como um supermercado, ignorando a jornada mais direcionada de quem busca um medicamento específico.
  3. Ignorar o cadastro de produtos ao tentar adaptar o planograma, o que distorce toda a análise de margem, giro e volume usada para priorizar espaço.
  4. Desenhar o planograma sem observar o fluxo real da loja, assumindo um comportamento “ideal” do cliente que não corresponde à circulação de fato observada.
  5. Não formalizar o planograma em um guia de execução claro, deixando a interpretação do desenho a cargo de cada equipe de loja — o que gera inconsistência mesmo quando o planejamento inicial estava correto.

Perguntas frequentes

É possível usar o mesmo planograma em todas as lojas de uma rede?
Não é recomendado. O método de construção pode ser padronizado, mas os critérios de prioridade de espaço devem considerar o fluxo, o perfil de shopper e o desempenho de categoria de cada loja específica — mesmo dentro da mesma rede e do mesmo segmento.
Qual a diferença entre planograma de supermercado e de farmácia?
No supermercado, a exposição costuma explorar mais o comportamento de compra por impulso e o percurso por itens de necessidade recorrente. Na farmácia, o planograma precisa equilibrar a busca rápida e direcionada por medicamentos com a exposição de itens de higiene, beleza e conveniência, que seguem uma lógica mais parecida com a do supermercado.
Por que copiar um planograma pronto da internet costuma não funcionar?
Porque um planograma eficiente é construído sobre dados reais daquela loja — cadastro de produtos, margem, giro, volume de vendas e fluxo de circulação. Um modelo genérico não reflete essas variáveis específicas, por isso tende a não sustentar resultado no longo prazo.
Como a loja de material de construção deve organizar o planograma diferente das demais?
Muitas lojas desse segmento se beneficiam de uma organização por tema ou projeto do cliente (como jardinagem, pintura ou hidráulica), em vez de apenas por categoria isolada de produto, já que o shopper geralmente chega com um objetivo específico em mente, não apenas com uma lista de itens.
Com que frequência devo revisar o planograma depois de adaptado ao tipo de loja?
Não existe uma regra fixa, mas o planograma deve ser revisado sempre que houver mudanças relevantes de sortimento, sazonalidade ou desempenho de categoria — e acompanhado continuamente por checklist de execução, não apenas revisado esporadicamente.

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